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Atualmente, a informática é ferramenta utilizada de forma a agilizar a informação nas mais diversas áreas de atuação. Na área de saúde, o crescimento cada vez mais rápido da quantidade de dados processados e armazenados vem demandando profissionais com conhecimentos multidisciplinares, com ênfase na utilização eficiente de ferramentas de TI, ferramentas estas cada vez mais incorporadas aos serviços de saúde [1].

Exemplo de incorporação destes serviços é o registro eletrônico das informações dos pacientes atendidos no hospital. Este registro permite a construção de sistemas de apoio à decisão clínica que, se bem construídos, contribuem para uma maior qualidade e segurança do paciente, permitindo ações padronizadas e tornando o processo de tomada de decisões cada vez mais ágil.

A aplicação de tecnologia da informação e comunicação com foco em otimizar a informação obtida, seja no levantamento dos dados do paciente ou demais dados hospitalares, com o intuito de ser utilizada na solução de problemas no contexto assistencial é chamada de informática em saúde [2].

A informática em saúde possui competências profissionais em três eixos básicos (tecnologia, saúde, gestão) que se interligam a fim de produzir conhecimento, habilidades e atitudes para este profissional, visando a que o indivíduo obtenha conhecimentos multidisciplinares para atuar na intersecção entre a área assistencial e a Tecnologia da Informação e Comunicação.

A Sociedade Brasileira de Informática em saúde subdivide estas competências nas seguintes subáreas:

  1. Tecnologia da informação
    1. Gestão da informação
    2. Tecnologia da informação
  2. Saúde
    1. Serviços clínicos e de saúde
    2. Sistema de saúde brasileiro
  3. Gestão
    1. Gestão de projetos
    2. Gestão organizacional e governamental
    3. Monitoração e avaliação.

Embora estejamos passando por um momento de grandes avanços na área tecnológica, existem diversos profissionais no Brasil apreensivos com relação aos benefícios que o uso de computadores pode trazer às suas profissões, principalmente na área de saúde, em que diversas forças globais motivam cada vez mais a introdução destes equipamentos no processo de assistência ao paciente [3]. Entretanto, apesar deste receio, existe atualmente um crescente número de profissionais habilitando-se em informática em saúde, dentre eles citaremos os médicos e os enfermeiros.

Os médicos que estão se habilitando nesta área são conhecidos como médicos informatas, estes profissionais colaboram com os demais profissionais de saúde e os da tecnologia da informação utilizando a experiência na assistência ao paciente em conjunto com suas competências em informática em saúde para melhorar os resultados obtidos na saúde dos pacientes [4].

Já o enfermeiro em informática busca fazer com que os sistemas de saúde em TIC não obstruam o fluxo de trabalho de toda a equipe assistencial, um dos motivos por estarem encabeçando diversos projetos de informática em saúde e, na maioria das vezes, são responsáveis por treinamento dos demais profissionais, pois facilitam o interfaceamento entre sistema e equipe. Além disso, é possível inferir que dentre as áreas que trabalham com informática em saúde no Brasil a mais desenvolvida é a área de enfermagem, que já possui diversos estudos que focam no uso de recursos em TI no desenvolvimento do profissional da área [5].

Apesar de diversas iniciativas em relação à utilização da informática em saúde, o Brasil ainda precisa explorar mais a área a fim de utilizá-la como ferramenta de auxílio na qualidade dos serviços prestados aos pacientes. Um exemplo desta melhoria é que com o emprego de recursos computacionais existe um ganho relacionado ao tempo, trazendo maior disponibilidade dos profissionais na atenção direta ao paciente [6].

Rodrigo Magalhães Alves é gestor de TI do HUB, atualmente cursa mestrado em gestão de riscos na UNB.

Referências

[1] L. M. Matsuda, Y. Dora, M. Évora, I. H. Higarashi, C. S. Gabriel e K. C. Inoue, “Informática em enfermagem: Desvelando o uso do computador por enfermeiros,” Texto contexto enfermagem, pp. 178-186, 2015.
[2] SBIS, Competências Essenciais do Profissional de Informática em Saúde, 2012.
[3]E. O. L. RODRIGUEZ, G. M. E. ECHEVARRIA, F. L. MAGNANI e G. CANDUNDO, “Informática em enfermagem facilitador na comunicação e apoio para a prática,” Invest. edic. enferm, vol. 26, pp. 144-149, 2008.
[4] “O que é Informática Médica?,” 20 12 2017. [Online]. Available: http://timedicina.com.br.
[5] InformationWeek. Brasil, Enfermeiro com habilidades em informática é aposta do HIMSS.
[6] H. F. MARIN e I. C. K. O. CUNHA, “Perspectivas atuais de informática em Enfermagem,” Revista Brasileira de Enfermagem, vol. 59, pp. 354-357, 2006.