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“O problema de se estar numa corrida de ratos é que, mesmo se você ganhar, você continua sendo um rato”. Lily Tomlin 

Por Jackson H. Pereira

“Estou ocupado” costumava fazer com que eu me sentisse importante na vida. Sentia que o mundo precisava de mim, como se de alguma forma eu fosse mais valioso quando tinha muito por fazer e pouco tempo livre.

Talvez por isso eu usasse o “estar ocupado” como um distintivo, e rapidamente recorresse a ele quando as pessoas me perguntavam como era a minha vida. No entanto, preciso confessar, a ocupação era apenas mais um vício ao qual me agarrei para que eu pudesse evitar coisas que me deixavam desconfortável.

Infelizmente, as coisas para as quais eu não podia dar atenção por estar sempre muito ocupado, eram algumas das coisas que mais valem a pena nessa vida.

Os gritos em um movimento de frustração recente e generalizada com a ocupação perpétua da vida. Hoje em dia parece haver uma suspeita geral sobre o, uma vez viável, valor de se estar sempre ocupado. E como mais perguntas estão sendo feitas, mais respostas estão sendo encontradas.

Ao que parece, estar sempre ocupado não é uma virtude, nem é algo a se respeitar mais. Entre as muitas razões para isso, há algumas que se destacam para mim. 

Pode ser falta de organização

Estar sempre ocupado pode realmente ser sinal de uma incapacidade de gerenciar bem as nossas vidas. Embora todos nós tenhamos temporadas com horários loucos, poucas pessoas têm uma necessidade legítima de estarem ocupadas o tempo todo.

Para o resto de nós, o que acontece é que simplesmente não sabemos como viver dentro de nossas possibilidades, priorizar corretamente, ou dizer não. “Ser ocupado não é o mesmo que ser produtivo”. E é algo mais frequentemente usado como um pretexto para evitar as poucas ações extremamente importantes, mas desconfortáveis, que temos que realizar. Estar sempre ocupado é uma forma de preguiça – preguiça de pensar e de mudar o padrão.

Problema de autoestima

A síndrome do “estou ocupado” pode ser um indicativo de uma falta de confiança e autoestima. Muitas vezes ficamos ocupados para nos sentirmos, inconscientemente, importantes e valiosos para o mundo ao nosso redor. Infelizmente, isso aponta para um desconhecimento do nosso valor inerente, em que, independentemente do nosso desempenho na vida, somos importantes, amados e valiosos. Este terreno escorregadio, normalmente nos deixa muito desconfortáveis com nós mesmos para que consigamos desacelerar.

Ocupação demais realmente restringe o desempenho profissional e limita a capacidade mental.

A ociosidade não é apenas um período de férias, uma indulgência ou um vício. É indispensável para o cérebro como a vitamina D é para o corpo, e privados disso sofremos uma aflição mental tão desfigurante quanto o raquitismo. O espaço e a tranquilidade que o ócio proporciona é uma condição necessária para estar de volta à vida. Vê-la como um todo, para fazer conexões inesperadas é paradoxalmente necessário para a obtenção de qualquer trabalho bem feito.


Ficar ocupados demais, muitas vezes, nos afasta das coisas boas da vida. Mesmo que estar ocupado faça com que nos sintamos mais vivos por algum tempo, a sensação não é sustentável em longo prazo. Nós vamos, inevitavelmente, seja amanhã ou em nosso leito de morte, desejar que tivéssemos passado menos tempo no burburinho da corrida dos ratos e mais tempo realmente vivendo.


“Não há nada com que o homem ocupado seja menos ocupado do que com viver, e não há nada mais difícil de aprender”. Cartas de um Estóico