BLOG

“Tudo que somos é resultado do que pensamos”, disse Buda, e entender quem somos nunca foi tarefa fácil.


O ser humano sempre buscou respostas para suas perguntas mais complexas sobre si mesmo e, nos dias de hoje, esta busca está cada vez maior. O mundo está evoluindo muito rápido, milhões de informações chegam a nossa vida diariamente, vivemos rodeados de novidades constantes, e isso tudo para ser absorvido por nós levaria anos. No entanto, devido à pressa, à pressão do dia a dia, à busca incessante pela autorrealização e sucesso, muitas vezes somos impedidos de parar e perceber o que está acontecendo conosco e com as pessoas ao nosso redor. Na era das conexões, das redes sem fronteiras, do bate e volta de respostas virtuais sem muito pensar e de todas as formas de se comunicar, o homem está se desconectando – de si mesmo e, consequentemente, do mundo real. As pessoas estão ficando mais vulneráveis a doenças cognitivas, físicas e emocionais que antes eram permitidas apenas aos grandes pensadores, artistas e cientistas.

Mas o que fazer com tudo isso?

Como viver melhor o aqui e agora sem perder o sucesso tão almejado?

Como tornar seus relacionamentos melhores, sustentáveis e duradouros?

Como ser feliz de verdade nos dias de hoje, aproveitando tudo de melhor ou ressignificando tudo de ruim

que possa nos acontecer?

 

Augusto Cury, psiquiatra, pesquisador, escritor e autor da teoria da Inteligência Multifocal, por mais de vinte anos estudou o complexo funcionamento da mente humana para nos trazer algumas dessas respostas. Em seu livro Inteligência Multifocal - análise da construção dos pensamentos e da formação dos pensadores, revisto e atualizado em 2006, ele traz a aplicação dessa teoria às principais funções da inteligência humana, buscando desvendar o complexo funcionamento da mente humana. Por meio da inteligência humana, composta pela construção de pensamentos; transformação da energia emocional; formação da consciência existencial e da formação da história existencial armazenada na memória, concluiu-se que uma pessoa multifocalmente inteligente desenvolve no mínimo 10 funções:
1 - A arte de amar e valorizar a vida
Amar e valorizar a vida são artes indispensáveis para se manter feliz e grato pela própria existência e pela existência de outras pessoas. Honrar e respeitar a sua própria história fazem com que o ser humano honre e respeite a história do seu próximo. A vida é a única linha que se for rompida jamais voltará. Como você tem amado e valorizado a sua vida e a vida dos outros?
2 - A arte de apreciar o belo
Apreciar o belo vai além da beleza. É a forma de admirar o que está em volta. Como a pessoa interage com “paisagens”, mesmo estando distorcidas, acinzentadas e pouco valorizadas. Conta-se uma história que uma senhora varria as pétalas das flores do ipê-amarelo que caiam sobre sua calçada porque ela as via como sujeira. O ipê-amarelo é uma árvore que dá flores lindas na primavera e enquanto alguns param para contemplá-las, outros, como essa senhora, acham que o belo é manter sua calçada limpa. Como você tem apreciado o mundo à sua volta?Durante uma viagem, o que é mais bonito de se ver, o paredão de pedras ou as montanhas, vales, o pôr do sol, o vento no seu rosto?
3 - A arte de pensar antes de agir
A tolerância tão necessária nos dias de hoje nada mais é do que pensar antes de agir. Respirar fundo, conhecer o seu estado emocional e conhecer o estado emocional do outro podem evitar uma série de conflitos e tragédias. É melhor pensar antes de agir do que viver pedindo desculpas por precipitações desnecessárias ou promessas não cumpridas.
4 - A arte de expor e não de impor as ideias
É comum algumas pessoas se irritarem quando suas ideias não são aceitas; seu tom de voz aumenta a medida da negação do outro; chegam até a ficar “vermelhas” de raiva ou alterar a sua voz, simplesmente porque querem obrigar o outro a aceitá-las por algum motivo. As ideias são mais bem aceitas quando são expostas e não impostas. A exposição dá a liberdade de escolha e compreensão do outro, ao passo que a imposição gera desconforto e situações de divergências e antipatia. Valorize suas ideias, mas não espere que o outro faça o mesmo apenas por obrigação.
5 – A arte de ser solidário
Ajude o outro à medida que ele quer ser ajudado. Faça por ele o que ele gostaria que fosse feito por ele, e não o que você gostaria que fosse feito por você. A solidariedade está nas pequenas ações do seu dia a dia. Seja solidário em suas palavras, o mundo já tem críticos demais. Importe-se em ser um “ser de luz” na vida das pessoas. Não é preciso ter riquezas materiais para se doar ao outro, basta ajudar na proporção que você pode: um abraço, um sorriso, um aperto de mão, fazer o dia de alguém melhor, ser
compassivo, ser gentil – afinal, gentileza gera gentileza.
6 - A arte de gerir os pensamentos dentro e fora dos conflitos
Tão importante quanto a arte de pensar antes de agir, gerir os pensamentos dentro e fora dos conflitosé para os sábios e às pessoas que se respeitam. Durante um conflito, é possível filtrar pensamentos e evitar atitudes inconsequentes. Como você gerencia seus pensamentos em momentos de crise, pressão ou adversidades?
7 - A arte de se colocar no lugar dos outros
Se colocar no lugar de outra pessoa requer mudança, disposição, sabedoria, doação e o mais importante, abrir-se para que alguém se coloque no seu lugar em algum momento. Assim como o filme “Se eu fosse você” interpretado por Glória Pires e Tony Ramos, só será possível entender o “outro”, além de si mesmo, conhecendo o interior do “outro” como se estivesse em seu lugar – dentro dele.
8 - A arte de manter o espírito empreendedor
Reinventar-se, atualizar-se, inovar-se constantemente podem contribuir para que sejam vislumbradas novas possibilidades e criação de uma nova vida, de um novo ciclo. Manter o espírito empreendedor é também romper obstáculos causados por paradigmas e crenças limitantes. Uma pessoa inovadora e criativa e com um espírito empreendedor aumenta suas chances de alcançar o sucesso mais rápido do que pensa – ela se torna diferenciada e perceptível mais facilmente.
9 - A arte de trabalhar perdas e frustrações
Essa é uma das artes mais importantes da inteligência emocional. Perdas e frustrações têm a tendência de aprisionar as pessoas e as adoecerem. Ressignificá-las e trabalhá-las possibilita dar um novo sentido à vida e aos “seus altos e baixos” passíveis a qualquer pessoa.
10 - A arte de colaborar em equipe
Colaborar em equipe ainda é um desafio dentro das escolas, universidades e empresas, pois mesmo num mundo de conexões e informações acessíveis a todos, algumas pessoas ainda se encontram individualistas e próprias de si mesmas. A colaboração em equipe traz resultados mais positivos e duradouros, pois é onde possibilita a prática de muitas das funções da inteligência multifocal destacadas anteriormente. Saber dividir ideias e conhecimento em prol de um objetivo comum torna as pessoas mais resilientes, realizadas e consistentes diante dos seus relacionamentos diários.

 

Como as funções da Inteligência Multifocal podem ser desenvolvidas?
O autoconhecimento é uma poderosa ferramenta para facilitar o desenvolvimento das funções da Inteligência Multifocal. Mudar comportamentos habituais significa mudar a forma de enxergar a própria cultura, os próprios valores e as próprias atitudes. Para isso, o uso do processo de Coaching é um ótimo aliado, pois por meio dele haverá um resgate dos 90% do inconsciente para o uso dos 10% no consciente de uma pessoa de forma mais saudável.É por intermédio da consciência do que deve ser melhorado e da sua ressignificação que as mudanças aparecem e a construção de novos pensamentos e emoções passam a acontecer de forma mais
equilibrada.

 

Para finalizar...
Para ser um profissional de sucesso, antes de tudo, é necessário ser uma pessoa de sucesso. Esse é o verdadeiro poder que uma pessoa pode obter ao longo do seu caminho. Enquanto muitas pessoas se preocupam com o básico – que é a obtenção de dinheiro –, suas vidas ficam adoecidas e envolvidas em ciclos que não se fecham – arriscando-se a uma vida insana e desconexa do seu verdadeiro eu. Uma pessoa que se conhece bem, caso perca o que é palpável, como o dinheiro ou bens materiais, consegue de cabeça erguida superar e reconstruir tudo novamente. Do contrário, se uma pessoa não se conhece, demorará muito mais para realizar essa reconstrução.
Você pode se perder do mundo, mas seria uma tragédia se você se perdesse de você mesmo.

 

*Sobre a autora: Patrícia Gonçalves é coach pessoal, profissional e líder coach, trainer, palestrante e
presidente da CKO Brasil, empresa fundada e dirigida por ela em Goiânia-GO. Atua no Desenvolvimento de Liderança, Gestão e Equipes e na Consultoria de Gestão do Conhecimento e Educação Corporativa. patricia@ckoassessoria.com.br | Facebook/CKOAssessoria