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Por (*) Christian Barbosa


Contrariando a máxima do capitalismo, tempo não é dinheiro. Se fosse, qualquer desempregado seria extremamente rico. Mas também dinheiro abundante não é sinônimo de riqueza. A utilidade que você tira do seu tempo e do seu dinheiro é que determinam o quão rico você é, ou qual a verdadeira prosperidade você possui.
 
A sinergia entre tempo e dinheiro é tão grande que dificilmente você conseguirá ter um sem o outro de forma equilibrada. Ou seja, para aproveitar seu dinheiro você precisa de tempo e para ter tempo você precisa de dinheiro. Isso não significa a conquista de um sonho utópico, ou ganhar na loteria. Significa que você se prontificou a aprender como usar melhor seu tempo e seu dinheiro, para gerarem prosperidade. Independente do tempo e do dinheiro disponível atualmente.

Esse é o pressuposto que defendemos e comprovamos no livro Mais Tempo Mais Dinheiro, que escrevi em parceria com o Gustavo Cerbasi (Casais Inteligentes Enriquecem Juntos).

Defendemos o conceito de que a vida é vivida basicamente em “ciclos pessoais”, que são o modo como escolhemos e decidimos levar nossa vida. Esses ciclos podem ser visualizados na imagem de uma espiral, como um amortecedor de carro. Essa espiral pode ser ascendente (prosperidade), descendente (frustração) ou contínua no mesmo ponto (sobrevivência).

O Ciclo da Prosperidade compreende as pessoas que dão resultados, que sabem usar bem seu tempo, conseguem fazer o dinheiro render e aumentar, usam técnicas de planejamento para tempo e finanças e vivem de forma sustentável em todos os seus papéis.

O ciclo da Frustração tem sentido descendente e compreende as pessoas que não conseguem ter tempo para nada, vivem cheias de problemas financeiros, pagam juros aos bancos, vivem atrasadas em suas atividades e o estresse é parte integrante da vida.

O ciclo da Sobrevivência é quando o círculo se estaciona em alguma posição da espiral da vida e a pessoa literalmente, “corre atrás do próprio rabo”. Muitas vezes ela se conforma em apenas sobreviver. Em ter dinheiro suficiente para pagar suas contas, em permanecer estacionados em sua carreira, em seu tempo ser mal utilizado na maioria das vezes.

O propósito de uma vida equilibrada e com resultados é entrar na espiral da prosperidade e nunca mais sair dela. E isso depende de alguns fatores, mas principalmente da sua auto-análise em descobrir o ciclo que se encontra e de vontade para operar mudanças na sua vida.

Tempo e Dinheiro são grandezas que quando bem utilizadas fazem a diferença na sua vida, da sua família e das pessoas que estão ao seu redor. Não é sorte, mágica ou utopia. É metodologia, treinamento, persistência e planejamento colocados em prática no seu dia-a-dia!

Por (*) Fernando Montero da Costa

Toda equipe necessita ter definidas, claramente, suas responsabilidades e metas. Afinal, um grupo profissional que não sabe para onde ir acaba normalmente em qualquer outro lugar, menos onde realmente se pretendia chegar. É aí que entra o papel do líder.

Mas se engana quem pensa que o condutor desse processo tenha como funções apenas estabelecer objetivos, definir responsabilidades de cada um, supervisionar atividades, estabelecer padrões, etc.

Há também o exercício da função de apoio, facilitando o funcionamento do grupo com escuta ativa, incentivando a participação dos membros, integrando as necessidades individuais nas metas da equipe, reconhecendo e agradecendo, gerenciando conflitos e desenvolvendo relações entre os integrantes.

Além de tudo isso, é importante destacar ainda que o papel do líder contempla outros desafios, como:

- Motivar e incrementar o rendimento de sua equipe
- Entender os comportamentos individuais
- Desenvolver e aplicar alguns estilos de liderança necessários
- Comunicar-se efetivamente
- Solucionar problemas e tomar decisões

Uma equipe eficaz é resultante do impacto direto das ações de seu líder. E ela só é realmente produtiva se apresenta um firme propósito compartilhado, comprometimento, boas relações interpessoais, comunicação fluída, flexibilidade, ótimo rendimento, sentimento de reconhecimento e motivação.

Conseguindo desenvolver seu trabalho e planejar com qualidade, o líder e seus comandados passarão até a tomar decisões em equipe, resultando em benefícios como:

- Melhor aproveitamento dos conhecimentos e experiências
- Maior criatividade
- Efeito sinergia
- Compartilhamento da autoridade em grupo
- Maior motivação
- Alta aceitação da decisão que se adote
- Desenvolvimento/ treinamento da equipe

O processo de tomada de decisões funciona eficazmente em uma equipe quando se estabelece um método apropriado e se explora as conseqüências e implicações de tais atitudes. Então as decisões são claramente compreendidas e aceitas e a equipe evita tomar ações precipitadas.

Como se pode perceber, a função de um líder é ampla e complexa, mas altamente recompensadora (e rentável) quando bem executada.

(*) Autor: Fernando Montero da Costa, Diretor de Operações da Human Brasil, especializada em seleção e recrutamento de talentos, formação, desenvolvimento e consultoria estratégica de pessoas nas organizações. Site www.humanbrasil.com.br e fone (11) 3528-2200.

Por (*) Reinaldo Nogueira

Há alguns anos, durante uma caminhada pelo centro da cidade de São Paulo, experimentei algo no mínimo interessante e ao mesmo tempo intrigante. No cenário tradicional e conservador (estilo europeu) do centro antigo paulistano, vi uma banca de livros, próximo à Bolsa de Valores, com alguns títulos ali expostos. Um deles em particular chamou-me a atenção: Pensando em TI. Na qualidade de profissional da área de Tecnologia da Informação, foram naturais o interesse e a curiosidade pelo tema.

Passei a folhear o volume, quando, de súbito, percebi que se tratava de uma obra voltada aos aspectos de convivência, reflexões sobre o ser, entre outros conteúdos psicológicos de interesse relevante, mas não dentro do tema que eu esperava. Desfeito o mal-entendido, confessado com certa vergonha, agradeci a atenção do vendedor e segui meu caminho.

Por alguma razão, o tema permaneceu vivo em minha mente, uma vez que TI (desta vez como tecnologia) demanda os mesmos aspectos de convivência e reflexões dentro de uma estrutura organizacional.

Nessa linha, entende-se que atualmente a TI experimenta amadurecimento em sua escala de atuação empresarial, passando de um provedor de informações e reativo às demandas de negócios de uma organização para uma TI relevante e estratégica.

Compare, por exemplo, a área de compras. Esta nasceu a partir da necessidade que a empresa determinava para a geração de bens de consumo (produtos/serviços) para atender o mercado em que atua. De maneira idêntica, a área de compras também se encontrava reativa às necessidades de negócio. Hoje, a empresa organizada produz por meio da área de suprimentos um planejamento global de compras que envolve a discussão com a alta gerência da empresa sobre os novos produtos/mercados que esta espera atingir. Temos assim uma "compra estratégica". Outras comparações poderiam advir desta mesma raiz, como o financeiro (estratégico) frente a uma ação de pagamento e recebimentos (operacional).

A TI que o mercado busca reúne características como analisar, opinar e identificar oportunidades de negócio em conjunto ou se antecipando às necessidades empresariais, tudo isto através da tecnologia que é uma ferramenta, mas que, se bem utilizada, opera como um direcionador estratégico para a empresa.

Todo o contexto até agora discutido sobre a TI remete a conceitos de gestão empresarial focados em Administração Participativa. Neste modelo, áreas de relevância como as que representam o interesse do cliente, fornecedores, funcionários assim como outras interfaces com a empresa (grupos de usuários de um produto ou serviço, por exemplo) retratam a necessidade do mercado, que pode se traduzir em ações estratégicas globais ou locais.

A TI, abraçando o conceito da Administração Participativa, busca esta participação estratégica e de extrema relevância no poder decisório das companhias. Esta cadeira representa o passo necessário para destacar a TI da postura passiva e reativa, para a TI estratégica e pró-ativa.

Os sinais já aparecem em muitas estruturas. Posições antes não contempladas na área de tecnologia da informação, hoje surgem como elo entre a estratégia e o corpo técnico da empresa, direcionando os pensamentos e aspirações de uma companhia para sua área de tecnologia. Exemplo desta posição é o Chief Information Office (CIO) que funciona como um articulador entre os interesses estratégicos da empresa e as equipes internas, inclusive TI.

Concluindo, podemos, portanto, adaptar o título Pensando em TI para Pensando em T.I. Que tal?

(*) Reinaldo Nogueira, coordenador de Pós-Graduação On-Line da Universidade Anhembi Morumbi e professor dos cursos da Escola de Negócios e Direito.

Por (*) Rakesh Kumar e Naresh Singh, do Gartner

Fonte: Info Corporate


Esta pesquisa destaca os fatores relevantes que vão moldar o panorama de data centers na Índia nos próximos dez anos. Usuários de TI, companhias de hospedagem, designers de data centers e órgãos do governo devem prestar atenção nesses aspectos antes de fazer qualquer investimento.

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Considerações básicas


– O potencial para demanda por data centers na Índia continua forte; a maior parte dele será aproveitado por construção interna e fornecedores externos. O Gartner prevê uma taxa de crescimento anual de 34% entre 2007 e 2012 (previsão feita em outubro de 2008).

– Nos próximos três anos, o setor de hospedagem de data centers evoluirá e vai oferecer soluções mais flexíveis; essa deve ser uma alternativa para empresas construindo seus próprios data centres.

– Modelos financeiros inovadores para construção e gerenciamento de data centers amadurecerão na Índia. Esses modelos avançados afetarão, nos próximos três anos, usuários, companhias de TI e, em alguns casos, órgãos do governo.

Recomendações

– Avalie os custos e benefícios de utilizar uma companhia de hospedagem em vez de criar um data center novo, mas leve em conta os riscos de energia, disponibilidade e segurança.

– Foque em designs de data centers que consumam pouca energia e possam reduzir custos operacionais.

– Avalie e incorpore práticas verdes no design do data center para reduzir custos.

– Mapeie as necessidades de flexibilidade das aplicações e do negócio para a arquitetura do hardware de TI e os data centers. Não pague por flexibilidade supérflua.

– Seja criativo na forma de financiar com ajuda do governo, onde estiver disponível, a construção de data centers; forme joint-ventures com parceiros externos. Nesse tipo de transação, analise os riscos cuidadosamente.

Hipóteses de planejamento estratégico

Nos próximos cinco anos, os CIOs na Índia vão elaborar os modelos financeiros mais criativos para construção e gerenciamento de novos data centers em qualquer lugar do mundo.

Análise

Cenário estratégico para os desafios de data centers na Índia

Desde 1980, o padrão de vida na Índia vem melhorando. De acordo com o Banco Mundial, em uma geração o Produto Interno Bruto indiano por habitante aumentou 230% – uma média de 4% ao ano. Em 2008, a taxa de crescimento de cinco anos prevista pelo Asian Development Bank também foi maior, com uma média de crescimento econômico anual de 8,7%, ritmo 6,5% mais veloz do que o da estimativa feita em 1999. A economia da Índia se globalizou, com uma proporção de comércio de bens e serviços de até 51% do PIB no último trimestre de 2008. Isso representa um aumento de 24% em relação à década anterior. O ritmo da economia pode ser visto na tabela 1.

Tabela 1: Tendências da economia indiana (ano fiscal com início em abril)

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Fonte: Dados históricos do governo indiano e do CEIC. Previsões da IMA India e da IMA Asia.

O crescimento econômico atual está estimulando investimentos em TI e em infraestrutura digital, o que por sua vez leva a mais desenvolvimento. O papel de TI em permitir o progresso industrial é ainda mais evidente pelo fato de a Índia ser líder em terceirização global.

Embora a tendência de crescimento na Índia deva se manter, existem alguns desafios. Uma preocupação óbvia é a crise econômica mundial atual, que está obrigando empresas a cortar custos, inclusive os de TI. Ao diminuir despesas, as empresas selecionam investimentos em TI, dando preferência a projetos essenciais e estratégicos.

Para os grandes consumidores de TI na Índia, os setores financeiro e de telecomunicações, investimentos em TI são fundamentais para que as empresas se tornem ágeis e competitivas. Essa exigência cresce conforme esses setores enfrentam concorrentes globais e as empresas indianas expandem suas operações a outros mercados. Apesar de estes setores já terem feito generosos investimentos, os futuros negócios vão pedir serviços de TI mais sofisticados e de mais ampla abrangência, portanto vão precisar de robustas infraestruturas para dar suporte às mudanças.

Recentes reuniões do Gartner com departamentos do governo revelaram uma clara determinação das autoridades do país a adaptar novas tecnologias à rotina dos indianos. Por exemplo, o Centro de Sistemas de Dados Ferroviários já permite a reserva e a compra de passagens pela internet. As consequências desse tipo de mudança serão profundas e ficarão evidentes em várias áreas, como serviços móveis de acesso à web e disponibilidade da internet para departamentos do governo e comunicações pessoais. Isso indica que melhorias na infraestrutura são necessárias antes de haver qualquer progresso significativo.

Os cerca de 200 mil metros quadrados ocupados por data centers na Índia devem chegar aos 400 mil metros quadrados até 2012. O país terá a oportunidade de desenvolver a arquitetura de entrega deste serviço para enormes territórios. Há pouca infraestrutura disponível e os próximos cinco a dez anos serão fundamentais para essa nova fase. Se a arquitetura móvel e flexível de data centers evoluir com operações de baixo custo, incorporando as tecnologias mais recentes, ela será a base para serviços entregues a grandes populações. Entretanto, se forem tomadas decisões inapropriadas e data centers caros e mal desenhados forem construídos, os benefícios de ter um pequeno legado de infraestrutura serão desperdiçados. Devido a esse risco, decisões relacionadas com certas áreas serão cruciais.

Ser dono de um data center ou optar por serviços de hospedagem

A abordagem tradicional nas economias ocidentais nos últimos 30 anos tanto para pequenas quanto para grandes empresas tem sido construir seus próprios data centers. Isso é caro, inclusive para gerenciar. Esse gasto fazia sentido quando o conhecimento de TI era escasso e antes de que a infraestrutura fosse transformada em commodity. Embora o modelo de aluguel/locação seja usado há mais de 20 anos, ele realmente começou a ser atraente nos últimos três anos, devido a fatores como energia, espaço e despesas. Nos próximos dez anos, a maioria das organizações ocidentais de TI terá um modelo híbrido de data centers internos e hospedados. A Índia pode aprender com esta mudança e adotar uma abordagem mais prática no mercado de hospedagem.

Contudo, é muito mais fácil falar do que fazer. A quantidade de espaço hospedado disponível é inadequada e menor do que a demanda. Além disso, reuniões recentes com importantes bancos e varejistas mostraram que eles preferem ser proprietários dos seus data centers. Há uma crença de que grupos internos de TI podem fornecer melhores serviços do que fornecedores externos. Muitos também acreditam que data centers hospedados oferecem menos disponibilidade e segurança. O contexto é semelhante ao de cinco anos atrás para empresas em mercados ocidentais desenvolvidos.

Mesmo assim, há evidências de mudanças no comportamento de grandes usuários. Um crescente número de requisitos de recuperação de desastres com data centers hospedados está surgindo tanto de grandes como de pequenas e médias empresas. A maioria delas está satisfeita em tentar hospedar ou aumentar o uso de serviços hospedados. A escala do crescimento da demanda também vem influenciando a mudança. Conversas com usuários indianos indicaram uma forte demanda, com crescimento de 50% a 100% anualmente nos próximos cinco anos. Esses requisitos podem ser reduzidos utilizando equipamentos de TI para data centers otimizados e tecnologias mais sofisticadas, como virtualização de servidores e designs de armazenamento e rede mais avançados.

A demanda atual é tão ampla e urgente que usuários de grande porte não são capazes de sustentar o crescimento em suas próprias instalações. Em muitos casos, é impossível aproveitar oportunidades devido aos locais inapropriados onde estão os data centers.

Instalações futuras estão planejadas, mas muitas ainda não passam de projetos ou vão demorar para ficar prontas. Grandes instalações de data centers levam no mínimo um ano para serem construídas, por isso muitas empresas não têm nada a fazer a não ser recorrer a serviços de hospedagem.

O mercado de hospedagem na Índia precisa responder prontamente às oportunidades existentes. No passado, a maioria das empresas de hospedagem focou em instalações de pequeno porte e em serviços de recuperação de dados. O resultado dessa escolha foi que muitas delas não construíram instalações apropriadas para amplo fornecimento de serviços de data centers de próxima geração.

Há sinais, todavia, de que alguns provedores de hospedagem estão se dando conta das oportunidades. Já podemos ver os primeiros passos em direção à construção de grandes e sofisticadas instalações. Por exemplo, dois provedores de hospedagem esperam ter uma grande instalação com certificação Tier 4 na Índia até o final de 2009. E empresas de telefonia estão buscando parcerias com empresas de hospedagem ocidentais tradicionais para criar instalações avançadas.

Não há evidências de que os principais fornecedores de hospedagem mundiais (como AT&T, Savvis Communications, Terremark Worldwide e Rackspace) estejam considerando o estabelecimento dos seus data centers na Índia. Porém tendências apontam para uma oportunidade a alguns desses players de começar a ver a Índia como um meio de atender à crescente demanda doméstica (assim como a demanda de regiões vizinhas, incluindo Oriente Médio e sul da Ásia).

A entrada de um player internacional sazonal pode estimular o mercado ao elevar o nível da indústria. Isso também favorecerá a competição e o amadurecimento da indústria.

Os modelos financeiros dos próximos data centers

A maioria das empresas com data centers próprios os mantêm como bens. Elas compraram equipamentos de TI que se pagam em uma média de cinco anos. Usuários indianos, que não contam com essa estrutura, podem explorar diferentes modelos financeiros. Por exemplo, um departamento do governo está iniciando uma joint-venture com uma grande provedora de TI. A provedora construirá e será proprietária do novo data center, mas o governo colocará sua própria equipe para gerenciá-lo. O benefício para o usuário é que ele pode focar no valor adicional de aplicação e entrega de serviço, em vez de se preocupar em criar a infratestrutura.

A Índia tem peculiaridades relacionadas com mão de obra barata. Por exemplo, os usuários frequentemente acham que não precisam de máquinas de automação sofisticadas. Quando questionados a respeito disso, afirmam que podem contratar mão de obra de alto nível por preços mais baixos do que os de licenças de software. Apesar de esta abordagem ter tido sucesso no passado, o aumento do nível de complexidade dos data centers nos próximos cinco anos deve convencer os usuários de que ferramentas sofisticadas de automação são necessárias.

Há um enorme potencial na Índia para desenvolvimento de modelos de entrega com custos menores do que os das comunidades de TI ocidentais. A adoção do software como serviço (SaaS) no país é a menor da região; porém os adeptos locais são os mais entusiasmados, com mais de 90% afirmando que precisam aumentar seus investimentos em SaaS em 2010. A cultura indiana prefere otimização fiscal, por isso o Gartner espera inovações nos modelos financeiros de data centers nos próximos cinco anos.

O valor da tecnologia verde


O consumo de energia tradicionalmente não é uma grande preocupação para equipes de TI na maioria das companhias indianas, sem devoluções diretas de gastos ou com apenas parte do consumo da companhia vinculado a TI. Entretanto, esse panorama tende a mudar rapidamente com os requisitos de data centers cada vez mais exigentes. Grandes instituições financeiras e de telecomunicações já estão sentindo a pressão, inclusive de executivos. Espera-se uma grande virada em direção a tecnologias mais econômicas, por conta dos altos custos de energia na Índia. A tarifa no país para redes comerciais (que varia de 0,13 dólar a 0,25 dólar) é uma das mais elevadas do mundo. A falta de consistência do fornecimento aumenta o seu valor, por causa de altos custos de manutenção vistos ultimamente em amplas implantações de geradores realizadas por grandes usuários industriais.

Com um terreno relativamente novo, designers de data centers da Índia podem utilizar os mais avançados princípios de design de data centers, além de recursos de energia baratos e constantes, como geradores e sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado. O mercado indiano não costuma aderir aos densos servidores de alta capacidade, já que a implementação de servidores blade ainda é baixa. Porém designers de data centers precisam pensar nas suas instalações no longo prazo – elas devem ser capazes de suportar novas exigências.

À medida que são desenvolvidas e implementadas novas tecnologias para servidores, armazenamento e redes, os equipamentos dos data centers se tornam mais heterogêneos, porque os usuários mais dificilmente estarão dispostos a substituí-los rapidamente. A menos que os data centers sejam construídos baseados nos mais recentes princípios de design, eles serão incapazes de sustentar o consumo de energia previsto e não conseguirão resfriar adequadamente os novos equipamentos de TI.

A partir da perspectiva de consumo energético, os data centers precisarão ser mais dinâmicos e funcionar baseados em diferentes zonas para distribuir o fornecimento de energia. Recomendamos arquiteturas modulares separadas. Obviamente, serão também necessárias ferramentas de gerenciamento de sistemas de energia de data centers eficazes.

O nível adequado de capacidade supérflua

Os requisitos exagerados para data centers na Índia são um interessante paradoxo. Por um lado, os data centers indianos não foram construídos para altas exigências de disponibilidade; normalmente, estão adequados ao nível de instalação Tier 2. Mesmo construções recentes do setor de serviços financeiros são desenhados de forma semelhante. Contudo, muitas empresas que visam a recorrer a um provedor de hospedagem estão caindo na armadilha psicológica de querer o maior nível de disponibilidade e optam por níveis de certificados Tier 4. Definitivamente essa abordagem não avalia as reais necessidades de aplicações e negócios.

Quanto mais alto o nível, maiores os custos. Isso vale principalmente para construir ou reformar uma instalação, mas também para pagar por hospedagem. Portanto, insistimos que as empresas indianas reflitam cuidadosamente sobre quanto de disponibilidade é realmente necessária e como ela pode ser atingida da melhor maneira possível. Por exemplo, grande parte do que é realmente necessário pode ser conseguido com arquiteturas de servidores e armazenamento com software de failover (acesso automatizado a servidores somente quando necessário) e tecnologias adequadas de replicação. Se a flexibilidade do data center é fundamental, o nível Tier 3 será suficiente para a maioria dos casos.

Por (*) Patrícia Epperlein

Tecnologia será um dos setores que mais puxarão a retomada da economia, segundo acreditam 51% de 500 CEOs ouvidos em pesquisa recente realizada pela Cook International, em parceria com a Intersearch Worldwide Ltd., rede mundial de empresas de recrutamento de executivos.Tal indicativo aponta tanto para o investimento visando redução de custos quanto, no longo prazo, o conseqüente crescimento que ele proporcionará.

Isto já está sendo sentido em diversos mercados. O setor bancário, por exemplo, destina grandes investimentos em tecnologia, estrutura e inovação. A fusão dos bancos Santander e Real e Unibanco e Itaú, por exemplo, gerará aportes de cerca de R$6 bilhões. O Bradesco também aposta na tecnologia e infraestrutura para aumentar sua capacidade e atender a demanda por crédito no pós-crise – só no primeiro semestre, o banco investiu R$1,6 bilhão nessas áreas. Tais decisões mostram que, cada vez mais, a tecnologia é enxergada como parte do planejamento estratégico da empresa, com executivos menos técnicos e visão mais abrangente, pensando em todas as áreas da organização  e em como as ferramentas podem melhorar o desempenho, a produtividade e a inovação.

Outro segmento que cresce em meio à crise, no sentido de diminuição de custos e ganho de escala e agilidade, é o outsourcing, ou terceirização de processos. Segundo estudo da consultoria em inteligência de mercado Frost & Sullivan, estima-se que essa área crescerá US$3,48 bilhões em 2013, o que representaria um aumento de quase 120%, já que esse mercado teve uma receita de US$ 1,59 bilhões em 2007.  O mercado vem crescendo porque as empresas estão focando seu core business e terceirizando processos intermediários. Além disso, a terceirização não apenas reduz custos, mas melhora o controle, as práticas, os processos e a produtividade.

Inovação tecnológica também terá muitos investimentos por parte das empresas. É fato que, passada a crise, empresas e mercados já não serão os mesmos, por isso a necessidade de se ter novas ferramentas, produtos e serviços para a empresa ganhar competitividade. No entanto, para não perder dinheiro, as organizações apostam em projetos de curto prazo, que dêem retorno rapidamente. E quando falo de inovação, não são somente produtos ou serviços, mas modelos estratégicos de negócios e gestão que estão sendo re-avaliados para dar melhores resultados.

A tecnologia seria, de fato, a chave para o aquecimento da economia e a solução para as empresas inovarem e terem mais competitividade. Em entrevista recente, Bill Gates, da Microsoft, disse que a criação de softwares e investimentos em tecnologia da informação farão os mercados funcionarem melhor e ajudarão os Estados Unidos e o resto do mundo a sair da recessão. O pior já passou e mercados como China, Índia e Brasil já dão sinais de retomada da economia.

Com tudo isso, o profissional de tecnologia precisa estar preparado para um novo mercado, com novos desafios e funções. Os altos investimentos na área aumentam a cobrança por parte da empresa para executivos completos, com visão de negócios. Muitos dos executivos já estão além do perfil técnico e têm características diferenciadas, como gestão de pessoas e operações e planejamento financeiro e orçamentário. Para aqueles que ainda se limitam à tecnologia, este é o momento de reavaliar e mapear outras áreas e projetos que podem assumir. Além disso, com a gestão cada vez mais integrada, nunca é demais ter uma visão abrangente e se aproximar de áreas estratégicas, como marketing e vendas.

(*) Patrícia Epperlein é chairwoman da Intersearch Worldwide Ltd. e sócia-diretora da Mariaca.