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O mantra corporativo em época de crise econômica é corte de gastos. Simples assim: quando chega a crise, chegam juntos os programas de redução de gastos com os mais variados e pomposos nomes (adequação de gastos, otimização de custos e por aí vai...). Não muito raro, os programas, em nome da sobrevivência, asfixiam as corporações matando o futuro, através de cortes de investimentos, que paradoxalmente trariam as vendas, o faturamento e o crescimento.

Quando observamos este dilema sob o ponto de vista de tecnologia, a questão torna-se mais aguda. Em nome de cortar gastos, deixa-se de investir em inovação, automação e novos processos, que fariam a diferença na competitividade das empresas. Ou seja, sob o pretexto de melhorar a situação financeira hoje, compromete-se a situação financeira futura, relegando as organizações à mediocridade ou à irrelevância.

Um exemplo bastante factível para esclarecer a questão: imagine que uma empresa esteja pensando em cortar o investimento para implantação de um sistema de gestão de serviços e TI (ITSM), afinal de contas, na crise, não é momento de colocar recursos em um sistema de workflow... Porém, ainda podemos imaginar, que o novo sistema possibilitaria disponibilizar, por exemplo, uma interface de autoatendimento para o usuário final e ainda, uma solução de mobilidade para os técnicos de campo, otimizando os processos de atendimento e melhorando a experiência do usuário. Não é difícil imaginar que o novo sistema traria um rápido retorno sobre o investimento.

Portanto, na crise, quando o assunto for tecnologia, temos que pensar (ou ao menos tentar) o inverso do senso comum e fazer as perguntas certas: quais as tecnologias podem automatizar meus processos, otimizando meu negócio? Quais as oportunidades que a crise apresenta para soluções inovadoras? Que tecnologias podem abrir novas possibilidades de negócio? A grande questão, portanto, não deveria ser onde cortar custos para gastar menos (e matar o futuro), mas sim, que projetos de tecnologia devem ser desenvolvidos para gastar menos ou faturar mais (e recriar o futuro).

*Felipe Marra: Formado em Engenharia de Sistemas e Computação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e com MBA em Gerenciamento de Projetos pela Fundação Getúlio Vargas, atua há mais de 10 anos como analista de sistemas da Petrobras, onde já atuou em projetos internacionais na área de Tecnologia da Informação em mais de 10 países, gerenciou o Service Desk entre 2012 e 2013, tendo posteriormente gerenciado o atendimento de campo em 2013/2014. Atualmente coordena a área de modelagem de contratação de serviços de suporte e implantação de novas tecnologias de atendimento ao usuário de TIC.