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Filósofos, sábios e religiosos afirmaram que a “Felicidade está dentro de nós”.
Se nos aprofundássemos no significado dessas palavras, o questionamento seria inevitável: “Como assim?”.
Na correria de tantas tarefas e obrigações que se acumulam, frente ao tempo escasso, melhor não pensar na resposta e, talvez, olhar os novos modelos de carros, celulares, aparelhos eletrônicos, entre outras tentações. A aquisição de um novo “brinquedinho” ou “agrado pessoal”, como um novo computador, sapatos novos ou uma roupa da moda, parece garantir bons momentos, algumas vezes estrangulados pela realidade da fatura do cartão de crédito. Essa euforia de possuir algo desejado seria a Felicidade?
Quando nossas necessidades básicas e da nossa família estão satisfeitas, como ter um lar aconchegante, alimentação sem privações, o acesso à cultura e ao conhecimento, saúde e um trabalho digno, podemos questionar profundamente o que realmente é importante, sem cair nas armadilhas do consumismo. Precisamos de muito pouco para ser feliz, mas ao valorizarmos o que ainda não temos, sofremos, porque sempre falta alguma coisa.
A Felicidade é um assunto amplo, mas neste artigo, abordarei alguns aspectos, sempre práticos, reforçando que a Felicidade é um estado interno positivo e natural. Ela já está dentro de nós desde o nascimento, mas a nossa mente produz pensamentos, referências externas, armadilhas psicológicas, lembranças que geram emoções negativas, que poluem e nos impedem de percebê-la.
A infelicidade também está relacionada aos conflitos que inconscientemente causamos ou eternizamos, mas que julgamos ocorrer somente por culpa de outras pessoas.
A não produção consciente da infelicidade será a chave da porta para o caminho da felicidade.

 

Infelicidade causada pelos outros

Quando realizo o processo de avaliação e autoconhecimento tecnicamente orientado, conhecido no mercado como Assessment, ouço diferentes histórias, problemas e necessidades. Procuro entender como o indivíduo está percebendo os cenários, os acontecimentos e as pessoas importantes como sua chefia, pares e subordinados, além de procurar modelos comportamentais danosos. É comum ouvir o quanto as outras pessoas causam problemas nas equipes de trabalho ou o quanto as atitudes alheias estressam as pessoas. Como disse Jean-Paul Sartre (França,1905): “O Inferno são os outros”.
A aplicação do instrumento de Assessment Myers-Briggs Type Indicator®, conhecido como MBTI®, oferece um método útil para entender as pessoas e fornecer autoconhecimento, com base nas preferências de personalidade que todas as pessoas usam em momentos diferentes.
Depois que o cliente recebe seus relatórios e explicações detalhadas, procuro ajudá-lo a assumir a responsabilidade pelos seus sentimentos e reações condicionadas, frente aos fatores que lhe causam estresse e infelicidade. Mudar a si mesmo, depois de decidir por isso, já não é algo tão fácil, mas esperar a mudança “dos outros” pode ser algo impossível.
São muitas as possibilidades de perfis versus cenários reais e sempre cada indivíduo é único, mas alguns exemplos com questionamentos podem ampliar o entendimento do leitor sobre como mudar a forma de pensar para ser mais feliz:
Chefes julgados como carrascos, que dizem o que tem de ser feito, sem ouvir a equipe, precisam ter pessoas no papel de vítimas para poderem continuar sempre com as mesmas atitudes. O que exatamente você faz ou deixa de fazer que favorece essas ações duras do seu chefe?
O cliente interno ou externo que só reclama e nunca valoriza o seu trabalho de prestador de serviços. Qual é a expectativa desse seu cliente que você ainda não descobriu? Você quer realmente ajudá-lo? O que poderia fazer de diferente para mudar a percepção desse cliente?
Meu filho não me respeita. Digo que ele não pode fazer algo e ele o faz nas minhas costas. Se essa forma de comunicação não funcionou até agora, por que você insiste e ainda não procurou outra estratégia? Na idade dele, mas nos dias de hoje, como você poderia entender o que considera ser o certo ou o melhor? Com as mesmas atitudes, você só poderá obter os mesmos resultados.
Nos exemplos acima, não é raro perceber que os comportamentos do chefe, julgados errados e dignos de um carrasco, são os mesmo que o avaliador usa com o filho adolescente ou companheiro(a). A incoerência é uma característica do ser humano.
Na realidade, não existe a infelicidade causada pelos outros, pois frente a qualquer situação, temos o direito e poder de escolher a “não infelicidade”. Deixar de atribuir aos outros ou aos acontecimentos externos as nossas tristezas, analisar a situação por novos ângulos e encontrar a nossa responsabilidade, a possibilidade de mudanças ou novas escolhas para ser mais feliz.
Ser Feliz não é a chegada, mas o caminho percorrido.
Procure fazer o exercício a seguir, sozinho, com tempo para reflexões.

 

Exercício proposto:

1. Escreva em um papel o nome das pessoas cujos comportamentos estão atrapalhando a sua vida ou fazendo sentir-se infeliz (no máximo três).
2. Descreva os comportamentos de cada uma dessas pessoas que são danosos para você.
3. Agora, analise cada caso e procure descrever como cada uma dessas pessoas descreveria você (como elas o percebem).
4. Quais são as suas atitudes que causam essas percepções?
5. O que você poderia fazer, que ainda não tenha feito, para mudar essas percepções?
6. O que você ganha mantendo-se na situação atual, em cada caso?
7. O que poderá ganhar se conseguir mudar as percepções dessas pessoas a seu respeito?
8. Escreva uma nova ação ou atitude que poderá colocar em prática nos próximos dias para mudar as percepções das pessoas que julgou importante.
9. Após duas semanas, volte a ler o que escreveu e atualize com as novas observações. Observe o que poderia melhorar ainda mais e como.
Siga esse processo até que esteja feliz com os resultados. Casos mais complexos podem requisitar sessões de Coaching para dar suporte e vencer algumas crenças limitantes ou alguns paradigmas secundários. Mas não desista de se tornar um ser humano, cada dia melhor, enquanto estiver vivo.

 

Infelicidade causada por nós mesmos

Nossa mente processa inúmeras informações simultaneamente, e os pensamentos geralmente borbulham, sem a nossa consciência e controle. Mesmo assim, nossos pensamentos desenfreados geram sentimentos e ações. As pessoas de nosso convívio normal percebem com mais facilidade a nossa mudança de humor, mas quando fazem algum comentário ou questionam, dizemos estar ótimos ou que é pura impressão delas. Seria mesmo?
Às vezes, os pensamentos conduzem as ações que causam os efeitos externos que nos entristecem. A simples mudança dessas ações poderá trazer paz e felicidade. Outras vezes, nós nos irritamos com pequenas coisas, mas não percebemos esta emoção em nós, mas ela se acumula, até que saímos do nosso eixo e estouramos com alguém, por uma situação que não condiz com o destempero emocional. As pessoas mais íntimas geralmente são as mais afetadas, pois no ambiente de trabalho é mais frequente o falso controle das emoções negativas. Digo “falso controle”, pois, na realidade, estamos produzindo as lavas quentes de um vulcão que explodirá ou implodirá, causando sintomas e doenças como cefaleia (dor de cabeça), enxaqueca, problemas estomacais, gastrites, dores musculares, rigidez na musculatura paravertebral (famosas dores nas costas e pescoço).
Mas se não é saudável controlar as emoções negativas, o que pode ser feito?
Perceba cada pequena emoção negativa, ou melhor, aprenda a perceber e nomear suas emoções. Olhe para ela de frente e procure entendê-la, encontre a causa raiz. Algumas vezes, só de percebê-la e enxergar a causa raiz, ela se desfaz. Em outros momentos, a relevância da emoção implica em uma conversa assertiva e calma com a pessoa que a causou, para transformá-la positivamente.
Há situações particulares que sempre podem trazer essas emoções para algumas pessoas, por exemplo, viver no trânsito de São Paulo. Nessa situação, teremos de ser criativos e tirar a atenção do que incomoda, substituindo por outra ação agradável. No exemplo do trânsito, que tal ouvir uma sequência de músicas que lhe trazem apenas emoções positivas, especialmente elaborada por você? Cante, batuque, aprecie a música ao invés do trânsito. A música traz as nossas emoções para a superfície, mas saiba escolher a emoção necessária para cada situação.
Tive um jovem cliente que dizia não se relacionar bem com a esposa de seu pai. Ela procurava conversar, mas seus assuntos não eram de seu interesse. Mantinha-se quieto e afastado dela, para não criar problemas com seu pai. Após alguns questionamentos, ele percebeu que ela procurava conversar com ele, independente dos assuntos escolhidos, mas ele não fazia o mesmo com ela. Na sua mente, temia um conflito entre eles, que desapontaria seu pai, mas não havia fatos reais que comprovassem que isso ocorreria. Ele criava a dificuldade e, com ela, seu afastamento, não dando chances para conhecer a pessoa que amava seu pai e que já era a mãe de sua irmã. Esse mesmo modelo comportamental era encontrado na dificuldade para ter e manter bons amigos.
Estamos entregues aos nossos pensamentos, mas precisamos assumir as rédeas da nossa mente, para que ela trabalhe a nosso favor. Exercitar a observação e consciência do que pensamos e interferir positivamente para trazer bons pensamentos e, por meio deles, bons sentimentos. Todos nós enfrentamos problemas e sofremos contrariedades diárias no trânsito, em casa ou no trabalho, mas precisamos assumir a responsabilidade e escolher gerar a felicidade.
Nós somos seres emocionais que desenvolveram a capacidade racional. Nossas emoções são importantíssimas, pois interferem no nosso desempenho, nos relacionamentos interpessoais e na nossa saúde física e mental. Pena que nas escolas e nas famílias não seja comum o hábito de reconhecer e falar das emoções, ao contrário, reclamamos das pessoas, das coisas que temos de fazer e do que queremos e ainda não pudemos comprar ou ganhar.
Vamos exercitar este conteúdo?

 

Exercício proposto:

Escolha um dia, de trabalho ou fim de semana com a família, e proponha-se a falar sempre dos seus sentimentos, assim como questionar como os outros estão se sentindo. Se não conseguir falar sobre isso, comece por reconhecer cada emoção gerada em todos os instantes. Verá que seu vocabulário talvez seja pobre para nomear cada emoção específica. De nada adiantará você reduzir esse trabalho em apenas duas respostas superficiais, mais habituais: Estou bem! ou Não estou nada bem!

 

Felicidade pelo uso de seus Talentos

No meu caso, foi importante procurar e entender a Felicidade que existiria dentro de mim quando minha filha de 23 anos partiu, repentinamente, para o plano superior. Eu precisava encontrar um pouco de felicidade e força para seguir vivendo, apesar de tanto pesar. Revi minha vida, minhas lutas e meus valores.
Nos anos de aprendizado sem a presença física da minha filha, Talita, eu aprendi o que julgava saber muito bem. Fiquei extremamente sensível, introspectiva e observadora, eu percebi que quando usava meu talento de forma natural, para ajudar as pessoas, minha alma sorria. Esta Felicidade, que surge de dentro para fora, é diferente da euforia pelo “ter”, trata-se da alegria de “ser” naturalmente muito mais do que se imaginava. Com mais concentração, atingia um estado novo de consciência e meu talento também crescia, formando um circuito fechado, retroalimentado, de felicidade.
Com o tempo, percebi que antes eu analisava e desenvolvia atitudes positivas em indivíduos, líderes e equipes, sem aquietar a minha mente (olha ela aí de novo), meu orgulho, minha vontade de mostrar meu conhecimento. Executava meu trabalho com toda a técnica e todo o conhecimento, atingia bons resultados, porém, aparentemente protegida pelo meu Ego, deixava de oferecer e desenvolver o que tinha de melhor.
Cada ser humano possui seus talentos, porém, na procura de status e sucesso financeiro, alguns escolhem os caminhos considerados mais valorizados e seguros, desconsiderando ou até mesmo desconhecendo a si mesmo. Com o tempo, a sensação de vazio e infelicidade, difícil de justificar, poderá surgir e incomodar.
Quem me conhece, foi meu cliente, participou de uma das minhas palestras ou dos meus trabalhos comportamentais, sabe que sempre re­cebe minha energia de amor e felicidade. Precisei e ainda preciso muito de tudo que aprendi, assim como sei que ainda há muito para aprender e exercitar.
As pessoas brigam, riem, choram, reclamam, ofendem, magoam, elogiam, dançam, cantam e VIVEM, apesar das tristezas e das decepções. Mas o difícil é sentir e entender o outro, percebendo nos erros alheios, nossos próprios erros em alguma situação passada e, desta forma, entendê-los, sem julgamentos de valor. Nossas emoções negativas, que direta ou indiretamente causam nossa infelicidade, em grande parte, estão relacionadas às ações ou posturas de outras pessoas. Portanto, relacionamentos pessoais e profissionais exigem autoconsciência e desenvolvimento contínuo, para que sejamos mais felizes.
Gosto de gente que deseja ser mais gente. Mas gosto muito mais de mim, quando consigo ser gente. Acredite, isso não é nada fácil, pois estaremos remando contra o fluxo da grande maioria das pessoas, mais acostumadas com o que é ruim e desconfiadas das pessoas do bem, mas não podemos desistir deste caminho.
A Felicidade pode ser AGORA e SEMPRE, desde que saiba fazer suas escolhas a cada instante. Procure sentir mais, aumentar seu estado de consciência no momento presente e responda para si mesmo esta importante questão: “O que é que faz a sua alma sorrir?”.